//Ecobonuz aprovada! Entrevista com Ricardo Mendanha, ex-presidente da BHTrans e diretor do Instituto Rua Viva

Ecobonuz aprovada! Entrevista com Ricardo Mendanha, ex-presidente da BHTrans e diretor do Instituto Rua Viva

Iniciativa pioneira no país, a Ecobonuz está despertando entusiasmo em nomes relevantes do transporte coletivo brasileiro. Após ser elogiada pelo diretor do Instituto MDT, Nazareno Affonso, o programa de vantagens para quem anda de ônibus, também foi aprovado por Ricardo Mendanha, ex-presidente da BHTrans.

Engenheiro com experiência em gestão e operação de transportes, Ricardo é atualmente diretor do Instituto Rua Viva, ONG que tem como objetivo a restauração da função social da rua como espaço democrático de uso, priorizando os modos de transporte coletivo, a pé e de bicicleta. Com a experiência de ter presidido a BHTrans, o especialista enfatiza que investir e priorizar o transporte coletivo é o caminho para que as cidades possuam uma mobilidade urbana de qualidade.

“Não existe solução para as grandes cidades que não passe por investimento em transporte coletivo de qualidade, seja Metrô, seja VLT, BRT ou simplesmente corredores de ônibus”, afirma.

Nesse cenário, Ricardo Mendanha aprovou a iniciativa da Ecobonuz e ressaltou a importância da existência de um programa que promova incentivos para que as pessoas escolham a utilização do transporte coletivo.

“Ao ‘premiar’ a utilização constante dos sistemas de transporte coletivo das cidades a Ecobonuz chama a atenção para estes serviços coletivos, contribuindo para aumentar a sua utilização e a sua valorização”.

“Ações como a Ecobonuz são importantes para lembrar ao conjunto da população as vantagens do transporte coletivo para a qualidade de vida das cidades e do Meio Ambiente”, finaliza.

Confira abaixo a entrevista completa:

Ecobonuz – Você é um profissional que já passou por cargos de grande relevância, como a presidência da BHTRANS. Como funciona e para que serve a gestão de transportes de uma grande cidade?

Ricardo Mendanha: “Para que a cidade possa exercer o seu papel de propiciar o desenvolvimento econômico e social para os seus moradores. A função da mobilidade é permitir que os cidadãos possam usufruir de tudo que a cidade oferece e sem uma gestão de todos os equipamentos que permitem esta mobilidade não seria possível acessarmos todas as possibilidades de emprego, renda, lazer, serviços e tudo mais que o ser humano criou para melhorar a sua qualidade de vida. A gestão da mobilidade cuida de pensar como melhorar o futuro dos deslocamentos através do planejamento das ações mas pensa principalmente em como fazer com que este deslocamento possa ocorrer aqui e agora. Assim é preciso cuidar para que as linhas de ônibus e de metrô possam operar diariamente, que os semáforos estejam funcionando, que as calçadas e as travessias de pedestres estejam prontas para serem utilizadas, que as vias estejam o mais rapidamente liberadas de eventuais problemas como acidentes ou engarrafamentos, que os usuários do transporte tenham informação sobre os serviços que necessitam e possam comprar seus bilhetes tarifários da forma mais fácil possível, enfim a gestão é muito ampla e complexa tendo de garantir a qualidade dos serviços no dia a dia sem deixar de pensar no futuro”.

Ecobonuz – Com toda a sua experiência em gestão de transporte urbano, o que deve ser feito com maior urgência para que a mobilidade urbana das cidades brasileiras melhore?

Ricardo Mendanha: “Prioridade para o transporte coletivo. Não existe solução para as grandes cidades que não passe por investimento em transporte coletivo de qualidade, seja Metrô, seja VLT, BRT ou simplesmente corredores de ônibus. Para tal é preciso garantir recursos perenes para estes investimentos que priorizem a circulação do Transporte nas grandes metrópoles brasileiras. E não são só recursos para investimentos. O modelo de cobertura dos custos do transporte precisa ser revisto. Qualquer país capitalista de primeiro mundo tem alternativas de receita para custear não só o investimento mas também a operação dos serviços. Não é possível que apenas o usuário direto do serviço arque com todos os custos, também aqueles que se beneficiam com a existência destes serviços de transporte, donos de imóveis, donos das lojas e das indústrias, por exemplo, ajudem a custear os custos/tarifas”.

Ecobonuz – Qual é a grande missão do RuaViva e como ela pode ser alcançada?

Ricardo Mendanha: “O Rua Viva é um Instituto que desde a sua criação “briga” pela ideia de uma cidade voltada para as pessoas e não para o automóvel. Desta forma entendemos que é preciso priorizar nas cidades o transporte não motorizado e o transporte coletivo como forma de aumentar a qualidade de vida das pessoas que vivem nas cidades. Nossa missão é convencer as pessoas desta ideia. Uma forma de buscar isso é fazer com que as pequenas e médias cidades planejem seu futuro e o da sua mobilidade para os próximos 10 e 20 anos. Assim, com certeza elas poderão evitar os erros cometidos pela maioria das grandes cidades e preparar as suas cidades para uma mobilidade que priorize as pessoas em vez dos veículos. O grande trabalho do Rua Viva ultimamente tem sido desenvolver Planos de Mobilidade Sustentável para as cidades de 20 a 600 mil habitantes”.

Ecobonuz – O que pensa de um programa de fidelidade voltado para as pessoas que utilizam o transporte coletivo?

Ricardo Mendanha: “O carro não pode ser um fim em si mesmo, mas apenas um meio para alcançarmos todas as possibilidades que uma cidade oferece. Como não cabem todos os carros na cidade, pois o espaço é finito, TODOS teremos que abrir mão dele em prol do DIREITO da COLETIVIDADE. Assim, sempre que falamos neste assunto estamos contribuindo para plantar esta ideia na cabeça das pessoas. Por isso um programa de fidelidade como a Ecobonuz é muito importante, pois reforça esta ideia de priorizarmos e investirmos em algo coletivo. Ao “premiar” a utilização constante dos Sistemas de Transporte Coletivo das cidades, a Ecobonuz chama a atenção para estes serviços coletivos, contribuindo para aumentar a sua utilização e a sua valorização. Infelizmente o Transporte Coletivo no Brasil é pouco valorizado, desconsiderado por parte da população que só utiliza quando viaja para o exterior ou quando não tem outra alternativa. Também por isso ações como a Ecobonuz são importantes para lembrar ao conjunto da população as vantagens do transporte coletivo para a qualidade de vida das cidades e do Meio Ambiente”.

Conheça o Instituto Rua Viva